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24 de março de 2018
Mulher de 24 anos morre em corrida; caso não é comum, mas dá para prevenir
Postado por Jessica Silva

 

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Taíse Bertoncello era advogada em CuiabáImagem: Reprodução/Facebook

A advogada Taíse Bertoncello, 24, passou mal durante uma corrida de rua noturna em Cuiabá e morreu a caminho da Unidade de Pronto Atendimento, no último sábado (17). A jovem estava participando da Cuiabá Night Run, com percurso de 7 km. Segundo a organização da prova, Taíse estava a cerca de 2 km da linha de chegada quando sentiu um mal-estar.

Ela foi socorrida por uma ambulância e levada à UPA da Morada do Ouro. Porém, não resistiu e morreu a caminho da unidade. A suspeita é que a advogada tenha sofrido uma parada cardíaca. De acordo com o IML da cidade, um laudo apontando a causa da morte será confirmado em 15 dias na delegacia de homicídio.

Apesar de casos como o da jovem não serem comuns, é preciso cuidado para evitar que aconteça, de acordo com Guilherme Sangirardi, cardiologista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“Na população em geral, a morte súbita está muito relacionada à doença coronária, na qual há acúmulo de placas nas artérias, limitando o fluxo de sangue para o coração. No entanto, quando falamos de jovens com menos de 35 anos que praticam exercício, esse quadro muda e a doença mais responsável pela morte súbita se torna a cardiomiopatia hipertrófica”, explica.

Segundo o cardiologista do esporte Carlos Alberto Cyrillo Sellera, da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), nessa doença os músculos cardíacos se tornam espessos e bem maiores do que os da população em geral, dificultando o bombeamento do sangue pelo coração. O esforço físico é um gatilho e pode desencadear arritmias potencialmente fatais. A doença, no entanto, é pouco comum e afeta cerca de 0,2% da população em geral (400 mil brasileiros). 

 

 

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Consulta com cardiologista é obrigatória para iniciantes e deve ser repetida anualmenteImagem: iStock

 

 

Esporte é melhor forma de prevenção

“Em casos como este, cria-se um estigma de que o exercício pode fazer mal, mas é justamente o contrário, basta analisar como está a saúde antes de começar a se mexer”, diz Sellera.

Sangirardi concorda: “O esporte é a principal maneira de prevenção de doença cardiovascular. Mas esse estímulo tem que ter um cuidado por trás e a pessoa deve se orientada por um cardiologista antes de começar a atividade física.”

A orientação é obrigatória para iniciantes e deve ser repetida anualmente. Deve ser realizada uma consulta clínica e uma bateria de exames, incluindo eletrocardiograma, teste ergométrico e análise do histórico familiar. Com base nos resultados é avaliado se o paciente está ou não apto a realizar o esporte.

“Se ele for diagnosticado com a cardiomiopatia, deve ser afastado imediatamente de qualquer atividade competitiva”, explica Sangirardi. Nesse caso, esportes que demandam menos consumo de oxigênio, ou seja, que não aumentam tanto a frequência cardíaca são os recomendados.

 

 

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Apesar de casos como o de Taíse, o esporte é a melhor prevenção para doenças cardiovascularesImagem: iStock

 

 

Condições do dia da prova afetam o corpo, mas não são possíveis causas

No caso da prova em Cuiabá, o termômetro marcava temperaturas acima de 30°C. De acordo com Páblius Staduto Braga, médico especialista em medicina do esporte pela SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte), o metabolismo aumenta em temperaturas muito altas, sujeitando o indivíduo a gastar mais energia e estressar ainda mais o corpo de quem já tem alguma doença.

Quando os termômetros passam de 32°C, o risco de infarto aumenta. O calor deixa o sangue mais espesso, provocando um aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca. Isso, por sua vez, também eleva o risco de o indivíduo sofrer um infarto ou um derrame. Alguns testes em laboratóriodemonstraram que temperaturas elevadas (quando ela chega aos 42°C) podem, inclusive, aumentar o risco de morte precoce por doenças cardiovasculares.

No entanto, o percurso da prova tinha apenas 7 km e a temperatura não devia influenciar tanto na saúde em distâncias tão pequenas, segundo Sellera e Sangirardi. “Uma prova com menos de 10 km não leva a uma desidratação grave. Acho difícil ser essa hipótese, ainda mais se ela for veterana da corrida. Se fosse maratona ou meia, as consequências seriam maiores”, afirmou o cardiologista do esporte.

Braga afirma que independentemente da distância, alguns cuidados são necessários antes e durante a realização de um esporte:

  1. É fundamental que a pessoa reproduza em prova aquilo que testou no treino, ou seja, o que já está acostumada a fazer. O grande problema do mundo amador é a melhora do resultado e a busca pelo recorde. Nosso corpo muda conforme a rotina. Às vezes acordamos mais cansados no dia da prova ou comemos mal, por isso é ideal não ultrapassar seus limites. Faça apenas o que seu corpo já sabe que aguenta.
  2. Preste atenção no clima no dia da prova. Se a temperatura foi alterada, se o ambiente está muito úmido... Qualquer mudança de planos deve ser debatida com o seu treinador, já que provavelmente você terá que se hidratar mais ou diminuir o ritmo. É importante relacionar o desempenho com a condição climática.
  3. Leve em conta sua rotina diária. Se estiver se sentindo cansado, diminua o ritmo e faça a prova da maneira que se sentir melhor.
  4. Além da hidratação, é importante se atentar à questão alimentar. Em provas pequenas você pode não precisar de reposição de energia, mas a rotina alimentar da semana anterior fará diferença. Evite gorduras e alimentos muito pesados e procure refeições equilibradas.
  5. Evite correr em jejum. Praticar exercício sem nada no estômago pode levar à hipoglicemia e deixá-lo fraco, com confusão mental, palpitações e tremores. faça uma alimentação leve uma hora antes de começar a atividade física.
  6. Por último e não menos importante, a avaliação periódica pelo menos anual é essencial e obrigatória. Só por meio desses exames que você vai saber se tem ou não alguma condição.

 

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