Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
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10 de outubro de 2018
Seu cérebro trabalha muito mais em repouso do que você imagina
Jessica Silva

 

  • Getty Images

A atividade realizada pelo cérebro enquanto se está descansando é bem mais ampla do que se imaginava, segundo um estudo alemão publicado recentemente na revista Science Advances. O chamado estado de "barulho de fundo", que é quando o cérebro está em uma espécie de "stand by", ajuda a manter as conexões dos neurônios, segundo o estudo.

Esse "barulho de fundo" é uma das atividades neurológicas mais interessantes do cérebro, pois não resulta diretamente de estímulos sensoriais ou da coordenação de movimentos, ou seja, é uma atividade que não tem ligação com variáveis externas. "É algo parecido com o que acontece quando nos desconectamos do mundo e sonhamos acordados", afirma Iain Stitt, que liderou o estudo no Centro Médico Universitário de Hamburgo-Eppendorf, na Alemanha.

Os pesquisadores observaram o cérebro em repouso e captaram atividades neurais durante esse estado. Até aí, não há novidades. Por muito tempo já se sabia que o cérebro tinha atividade neural mesmo em repouso, mas pensava-se que essa ação era produto de flutuações randômicas nas redes de neurônios. No entanto, esta nova pesquisa leva a crer que o cérebro realiza uma organização de grande escala em suas redes durante este estado para prever ações futuras.

É como se ele "estudasse para a prova" durante o sono. Ele relembra as ações do dia e consegue criar padrões para ações futuras. "É uma forma de fortalecer as conexões entre os neurônios que codificam traços de comportamento para que possam ser repetidos no futuro", diz Stitt.

Outra conclusão do estudo é que, essa atividade dos neurônios durante o "barulho de fundo" do cérebro acontece não só no córtex (como se imaginava), como também em outra estrutura do cérebro chamada de colículo superior do mesencéfalo.

Em vez de usar a ressonância magnética para medir a ação dos neurônios, os cientistas usaram técnicas de eletrofisiologia, como colocar eletrodos diretamente no tecido cerebral – no caso, no de furões (seguindo a Lei de Proteção de Animais da Alemanha). O estudo foi realizado em animais anestesiados, cujo estado do cérebro é muito parecido ao do sono profundo.

Os resultados desse estudo sugerem que pesquisas feitas com eletrofisiologia também podem ser usadas para detectar quando a atividade neurológica de fundo não está funcionando normalmente, como no caso do autismo e da esquizofrenia. "Algumas pessoas com autismo têm dificuldade em modular os efeitos da atividade neurológica de fundo, o que torna complicado para eles lidarem com tarefas cognitivas. Na esquizofrenia, a atividade de fundo é ampliada e pode contribuir para a formação de alucinações". 

UOL

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